É simplesmente isso que lhes ofereço. Sem métrica, sem pretensões (embora a ausência possa ser a maior de todas elas). São fragmentos: devaneios em verso e prosa. Quem sabe um desatino, metáforas, as vozes dos meus alteregos.
abril 30, 2009
Interrogações
abril 26, 2009
Fernando Pessoa - O poeta fingidor
Espólio de Fernando Pessoa: http://purl.pt/1000/1/index.html
abril 19, 2009
Não posso mais...
chorar de arrependimento
por atitudes que não tomei
por omissões imaturas
por titubear ante às minhas vontades
por sucumbir à sombra do medo
por tentar em vão afastar de mim
o que não posso alterar.
Não posso mais
chorar pelo que poderia ter sido
(e que nunca saberei)
lastimar o afeto que não tive
pesar as chances que não me foram dadas
nem maldizer quem melhor aproveitou
oportunidades que outrora tive nas mãos.
Não posso mais
chorar dores passadas
remoer o que excedi em dizer
lamentar o que silenciei
segurar em mim esse bem querer
que quero e preciso esquecer
fazer dele fortaleza e abrigo
para resgata-lo
um dia
sem hesitar.
abril 12, 2009
abril 11, 2009
Esquadros - Adriana Calcanhotto e Renato Russo
Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus...
Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome...
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...
Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...
Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...
abril 08, 2009

e não raro minhas atitudes denunciam minhas intenções
contradizendo o aparente equilíbrio urdido como disfarce da verdade.
Tantos são os olhares atentos a tudo
uma permanente vigília
para evitar as fugas, os retrocessos
e não deixar reviver o que precisa ser esquecido.
Uma imagem apenas...
foi bastante para ameaçar tantas certezas.
Percebo o espelho refletir angústias antigas
tudo o que poderia ter sido e não foi
e todas as possíveis razões provam que sempre estive errado
e que por muito tempo não quis enxergar.
Esse entendimento é derradeiro e definitivo...
Hora de desmontar o picadeiro.
abril 03, 2009
"O eco do meu oco"
um quase ser e sentir sobre tudo que
- de tão indefinido e irrealizado -
mais aumenta esse abismo de queixas
ecoando o imenso vazio das vivências não vividas
das experiências não experimentadas
do alívio imediato de dores necessárias
das constantes negações travestidas de salvação.
Dias e noites alheio aos arroubos da juventude
mantendo a seriedade e a aparente auto-suficiência
do personagem que criei para o meu uso.
Interpreta-lo sempre foi o meu drama predileto.
E eis, um dia, que entreolhando além da cortina
me vi sem platéia, sem foco, sem luz... sem voz.
O que resta de uma encenação sem aplauso?
"A quem respondo quando o eco do meu oco responde?"
A resposta não sai, fica presa
retida entre tantos poréns e vírgulas e dúvidas e este não-sei-bem-o-quê
"retida na retidão de pensar que todo fim tem de ter um ponto."
As convicções de ontem são as incertezas de hoje
quebrando linhas, pulando pausas, cortando curvas
"onde foram parar as minhas reticências?"
Seria "o oco de outro ninho" ?
Seria "o eco da minha própria voz pedindo amor e carinho" ?
Um ressentimento que sangra
a vitória da covardia que impede de arriscar
que não abdica da comodidade
que finge estar tudo bem
que acredita ser feliz
que tudo ameniza e esquece
... até de viver.