novembro 29, 2008

METADE - Oswaldo Montenegro

novembro 25, 2008

"Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo."

(OS DEGRAUS - Mario Quintana)

novembro 21, 2008

Avesso do espelho

Muitas vezes tenho tentado retomar este espaço, mas a dificuldade é imensa. A vida parece diferente, mas é a mesma... Sou eu que pareço outro e, por vezes, não me reconheço. Sinto como se estivesse sendo impulsionado à uma mudança contínua de pensamentos, atitudes, ações... uma desconstrução, um esvaziamento de mim mesmo. Tudo se mostra tão incerto que, aos poucos, me desfaço das convicções de outrora... dos conceitos, dos pré-conceitos, da "velha opinião formada sobre tudo". Nessa trajetória, tenho assistido o cair das máscaras de muitos dos amigos-pra-vida-inteira e, de fato, percebo que restaram poucos. Dói constatar que vivi ilusões, mas é melhor que seja assim. Onde leva esse caminho? Não sei... mas vou segui-lo.

Não vou viver como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão

Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você

É... mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir

Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você.

(PRA RUA ME LEVAR - Composição: Ana Carolina / Totonho Villeroy)

outubro 26, 2008

CUIDA DE MIM - O Teatro Mágico
Composição: Fernando Anitelli

setembro 02, 2008

Desapego

Cansei de escrever neste blog... Não do ato em si, mas de tudo o que trago aqui. Qual seria a razão desses desabafos em verso e prosa senão a vaidade de qualquer coisa? Sinto que o sentido se perdeu. Este blog vale mais pela Cecília, Clarice, Pessoa, Drummond... como uma forma de mantê-los vivos em mim e sempre poder me encantar com o arranjo perfeito de suas palavras. Hoje, decidi que não quero mais. Talvez, algum dia... um tanto distante por certo. Meus alteregos parecem fundidos num só e, agora, o eu lírico e o "blogueiro" não mais se entendem. E confesso que tenho desgostado de discussões infrutíferas. Covardia? Não... Desapego. Então, resignado, ponho fim a tudo isto e encerro aqui a minha modesta colaboração. Deo gratias, adeus!

agosto 30, 2008

Canção

"Quero um dia para chorar.
Mas a vida vai tão depressa!
- e é preciso deixar contida
a tristeza, para que a vida,
que acaba quando mal começa,
tenha tempo de se acabar.

Não quero amor, não quero amar...
Não quero nenhuma promessa
nem mesmo para ser cumprida.
Não quero a esperança partida,
nem nada de quando regressa.
Quero um dia para chorar.

Quero um dia para chorar.
Dia de desprender-me dessa
aventura mal entendida
sobre os espelhos sem saída
em que jaz minha face impressa.
Chorar sem protesto. Chorar."

(Cecília Meireles)
A lágrima não expurga as dores da alma. Mas, nos permite revelar o que sentimos mesmo quando nos faltam palavras. Seja, talvez, a mais poética e sublime e pungente expressão do sentir humano. O choro é um desabafo, um lamento, uma tentativa desesperada de aliviar o coração e dar voz àquele grito mudo há muito sufocado. Uma emoção genuína que - de tão verdadeira - nos é involuntária e faz o corpo inteiro transbordar o oceano de sentimentalidades que trazemos dentro de nós.